MENTE ABERTA
O projeto Mente Aberta nasce da urgência de dar resposta a uma realidade muitas vezes invisível: o isolamento, o estigma e a fragilidade vividos por pessoas com doença mental e pelas suas famílias. Dirigido a pessoas com doença mental ligeira a moderada e aos seus cuidadores, este projeto afirma-se como um espaço de reconstrução de percursos de vida, devolvendo dignidade, esperança e sentido de pertença.
Num contexto marcado pela escassez de respostas especializadas, o Mente Aberta assume-se como uma intervenção transformadora no território, promovendo não só a reabilitação psicossocial, mas também a quebra de ciclos de exclusão e o combate ativo ao estigma associado à doença mental.
Iniciado em novembro de 2024, o projeto consolidou, ao longo de 2025, uma intervenção próxima, contínua e centrada na pessoa, com impacto real na vida dos participantes. Mais do que atividades, promoveu mudanças concretas e mensuráveis, destacando-se a melhoria do bem-estar emocional, o reforço da autonomia e, de forma particularmente relevante, a redução de episódios de internamento hospitalar, evidenciando ganhos efetivos em saúde mental.
O projeto estrutura-se em quatro eixos fundamentais:
1. Atividades dirigidas aos/às beneficiários/as com Doença Mental
- Acompanhamento psicoterapêutico;
- Apoio e monitorização nas atividades de vida diária;
- Apoio e encaminhamento para serviços de formação e integração profissional;
- Reabilitação cognitiva e da cognição social;
- Atividades desportivas;
- Atividades sociocupacionais (cozinha, jardinagem, hortofloricultura e artesanato), articuladas com a Bolsa de Serviços;
- Atividades socioculturais (teatro, dança e música).
Estas atividades assumem um papel essencial na reconstrução de rotinas, no fortalecimento da autoestima e na redescoberta de capacidades muitas vezes comprometidas pela doença.
2. Atividades articuladas com outras entidades e parceiros
- Acompanhamento a consultas nos serviços de saúde;
- Atividades desportivas em articulação com a comunidade e equipas de desporto adaptado da CAID;
- Inserção dos utentes em atividades socialmente úteis e promotoras de empregabilidade (estágios, programas do IEFP, voluntariado, entre outras).
Este eixo reforça a integração na comunidade, promovendo experiências reais de participação e valorização pessoal.
3. Atividades dirigidas aos/às familiares e cuidadores/as
- Ações de sensibilização;
- Treino de competências;
- Dinamização de um grupo de autoajuda.
O projeto reconhece os cuidadores como pilares fundamentais no processo de recuperação das pessoas com doença mental, assumindo uma intervenção intencional na sua capacitação, suporte emocional e valorização.
Destaca-se, neste âmbito, a dinamização de um grupo de autoajuda que envolveu 21 participantes, constituindo um espaço estruturado de partilha, escuta ativa e apoio mútuo. Este grupo revelou-se particularmente relevante na redução do isolamento social e emocional dos cuidadores, frequentemente expostos a elevados níveis de sobrecarga, promovendo simultaneamente o reforço de competências, a validação de experiências e a criação de redes informais de suporte.
A participação regular neste grupo contribuiu para uma maior segurança no desempenho do papel de cuidador, melhoria do bem-estar psicológico e fortalecimento do sentimento de pertença, evidenciando-se como uma dimensão crítica do impacto global do projeto.
4. Atividades dirigidas à comunidade
- Realização de quatro ações de sensibilização, envolvendo cerca de 100 participantes.
- Para além destas ações, o projeto assumiu uma forte presença pública e de sensibilização social, com destaque para:
- A criação do podcast “Cuidar com o Coração”, com 10 episódios e participação de especialistas, que alcançou um impacto significativo, contribuindo para a literacia em saúde mental e aproximando a comunidade desta temática;
- A participação em iniciativas públicas relevantes, como:
- Palestra de sensibilização para jovens no Fórum da Juventude (61 participantes);
- Participação em mesa-redonda no Dia Mundial da Saúde Mental, promovida pelo Centro Hospitalar do Médio Ave;
- A dinamização de ações dirigidas a profissionais da área da saúde mental (25 participantes);
- A organização de uma palestra no âmbito do Dia Mundial da Saúde Mental, envolvendo múltiplos parceiros e especialistas (40 participantes).
Destaca-se ainda o início da elaboração de um Guia de Boas Práticas em Saúde Mental, em colaboração com profissionais de saúde, reforçando a sustentabilidade e replicabilidade do projeto.
Síntese de Impacto Social
O projeto Mente Aberta distingue-se pelo seu impacto traduzido em:
- Redução do isolamento social e aumento do sentimento de pertença;
- Melhoria significativa do bem-estar psicológico dos participantes;
- Diminuição de internamentos hospitalares, com ganhos claros em saúde e qualidade de vida;
- Reforço das competências pessoais, sociais e profissionais;
- Capacitação de famílias e cuidadores, promovendo redes de suporte mais sólidas;
- Aumento da literacia em saúde mental na comunidade e combate ao estigma;
- Criação de conhecimento e boas práticas, com potencial de replicação.
O reconhecimento do impacto do projeto ultrapassa os próprios indicadores internos, sendo evidenciado pelo forte envolvimento e posicionamento dos parceiros da rede local. Destaca-se, neste âmbito, a pressão exercida por entidades parceiras, nomeadamente o Centro Hospitalar do Médio Ave (CHMA), que, inclusive através de comunicação formal escrita e de manifestações públicas nas redes sociais, reforçaram a importância da continuidade do projeto, mesmo após o término do seu financiamento.
Este reconhecimento institucional constitui um indicador claro da relevância, pertinência e valor acrescentado do Mente Aberta no ecossistema local de saúde mental.
Mais do que uma resposta social, o Mente Aberta afirma-se como um projeto que transforma vidas, reconstrói trajetórias e humaniza a saúde mental, contribuindo para uma comunidade mais inclusiva, informada e solidária.

